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Fumando em Cuba
– As melhores tabacarias de Havana.
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Texto e fotos: Tarek Mourad.
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Lembro-me como se fosse hoje da minha primeira viajem a Havana. Dias antes do embarque já imaginava as maravilhas que me esperavam. Os charutos que iria fumar, as tabacarias que visitaria, as fabricas… Me lembro de estar sentado no então não reformado aeroporto da cidade do Panamá esperando minha conexão para Havana. Não era capaz de tirar o olho do tabuleiro eletrônico que anunciava a próxima partida: La Habana.
Nunca imaginei que sentiria isso nas próximas idas. Bom, a apenas alguns dias, estava eu no hoje moderno aeroporto da Cidade do Panamá esperando minha conexão para La Habana.
Minha viajem tinhas dois objetivos claros. O primeiro, explorar as melhores tabacarias de Havana e fazer uma avaliação o menos subjetiva possível da experiência.* Desde já aviso que minha avaliação não é nem um pouco objetiva. Fumar puros cubanos em Havana é uma experiência transcendental. Podemos, de uma maneira matemática, ou muito lógica avaliar as condições que cada tabacaria oferece, mas quando somamos a experiência de fumar um charuto, os numeros desaparecem com a fumaça, mas vamos lá…
Quando se faz uma conexão via Panamá, o horário de pouso do vôo é sempre perto da meia noite. A essa hora, nem o bar do hotel lhe oferecerá charutos a venda. Por isso, sempre que vou a Havana, levo um charuto comigo. Deixo para acendê-lo no carrossel de bagagem, logo depois da imigração. Sim, é permitido, não oficialmente, fumar no aeroporto.
Minha primeira visita é sempre a Real Fabrica de Tabacos Partagas. Sempre via a fotografia da placa da fabrica em livros e revistas sobre charutos. Lembro-me da primeira vez que a vi e realmente me assustei com seu tamanho dela. É quase um carro de médio porte.
A Partagas é uma fabrica modelo. Todos os padrões centenários de produção são mantidos a risca. Muito do que se vê nessa fabrica é um tanto cenográfico. Não que as outras fabricas sejam mais modernas mas os processos de produção são ligeiramente diferentes. A galera (sala de enroladores de charutos) é gigante. Um mar de torcedores (aqui no Brasil chamados de charuteiros e capoteiros) produzindo charutos lendários. Na entrada da fabrica esta uma das melhores tabacarias de todo o pais e do mundo. A Casa del Habano Partagas é a campeã de vendas em Havana. A quantidade de turistas que passam por lá diariamente é absolutamente monstruosa. Alem da loja, muito elegante, do bar onde se pode tomar um mojito perfeito, essa loja tem a melhor sala VIP. Não sei bem qual é o critério de quem é VIP mas sempre que estou lá acabo fumando dentro da sala. A maior vantagem de se estar nesta sala é que quando você for escolher as caixas de charutos que você vai comprar, escolhe diretamente do estoque da loja, que convenientemente é dentro da sala VIP, num humidor walk-in que acompanha toda a extensão da sala. Aqui no Brasil, quando você pretende comprar uma caixa de um determinado charuto, é raro ter mais do que 2 ou 3 caixas da mesma bitola para escolher. Em Havana é diferente. Você escolhe a sua caixa entre dezenas, algumas bitolas, centenas.
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A bandeira na fachada de um prédio perto do capitólio, na Habana Vieja.
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Kiki, que alem de me ajudar a escolher os meus Bolivares com capa mais escura, me mostrou uma verdadeira jóia. São os Cohiba Behike. Cem humidors com quarenta charutos cada, todos individualmente numerados. O acabamento de cada charuto dentro da caixa é nada menos do que perfeito. O aroma, divino. Um deleito. Não se baseie no preço para julgar a qualidade dos charutos. O preço de quinze mil Euros faz que a compra desse tipo de edição limitada seja somente para colecionar ou mesmo como investimento.
Depois de muitos charutos e muito bate papo com Kiki, partimos para outra visita. Casa del Habano – Meliá Habanos, minha outra loja predileta. O diretor dessa loja, Manoel, é uma enciclopédia ambulante sobre habanos. Lá fizemos dois blind tastings. Dois robustos, um Robaina e um Hoyo de Monterrey (bitola Epicure #2 e Famosos respectivamente). O Robaina me pegou mas o Epicure acertei. Já fui melhor! Essa loja também tem um estoque incrível. Não só em volume mas em variedade de marcas e bitolas. Lembre-se que não vai achar todas as bitolas que quer na mesma tabacaria. Na minha ultima visita, esta loja tinha recebido o inventario de uma tabacaria que ficou alguns anos fechada para o publico. Comprei naquela época, caixas de charutos que tinham sido torcidos 8 e até 10 anos atrás. Desta vez não encontrei nada muito envelhecido, também não estava procurando. As leis do nosso país só permitem a entrada de duas caixas de charutos e eu já tinha escolhido o que iria levar. Aproveitei a vasta seleção de charutos avulsos e comprei um punhado deles para fumar durante a viajem. Comprei alguns Salomones da Partagas. Esse charuto é uma lenda. É uma bitola perfeita para um casamento ou para fumar depois de um jantar no Le Grand V Four (um dia chego lá).
Na manhã seguinte fiz um pouco de turismo por Havana. Mesmo que o motivo primário de sua viajem seja explorar as tabacarias, não deixe de conhecer a cidade. Visite o Hotel Nacional e volte para os anos 50. Toda a cidade é uma viagem no tempo mas esse hotel esta intacto. Não deixe de fumar um charuto no terraço da piscina. Caso você seja um fã de Hemingway, vá até o La bodeguita del Medio e conheça o bar onde Hemingway fumava e bebia. Bebia muito mais do que fumava, mas não vamos entrar no mérito. Fitzgerald também bebia. Jânio Quadros também (que sirva de hommage a estas duas grandes cabeças).
Ja no inicio da tarde, voltei para o hotel para almoçar e aproveitar um pouco do sol e da piscina. Isso também cria a oportunidade para fumar mais um charuto.
Aproveitando que estava no hotel, o Melia Cohiba, fui ver o que a tabacaria poderia oferecer. Levando em consideração que o povo cubano é muito amigável, fiz um novo amigo. Leopoldo, diretor da Casa del Habano – Melia Cohiba, sentou e fumou alguns charutos comigo. Essa tabacaria, a mais nova das que visitei, é muito luxuosa. Poltronas perfeitas para sentar e fumar a tarde inteira. Um ambiente bem iluminado e bem ventilado. Conta com um bar e a noite com musica ao vivo. Isso, sem falar na, mais uma vez, incrível variedade de charutos. Comentei com o Leopoldo que iria, no dia seguinte visitar o maior produtor de capas (em qualidade), Don Alejandro Robaina. Leopoldo, amigo do Don Alejandro, ligou para seu sobrinho e recomendou nossa turma.
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A tampa da caixa dos Cohiba Behike.
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Não posso falar muito sobre a viagem de carro até Vuelta Abajo. Dormi a maior parte do tempo. Chegamos em Pinar del Rio e um pouco afastado do centro da cidade, fica o rancho do Don Robaina. Ele ja nos esperava na sua varanda. Um terraço grande com mais ou menos 12 cadeiras de balanço. Seu sobrinho Carlos nos levou por um breve passeio na plantação e demonstrou o processo de colheita, secagem, fermentação e maturação do tabaco a moda cubana. É ligeiramente diferente do que se faz na Bahia. Enquanto meus companheiros de viagem tiravam suas duvidas sobre plantio com Carlos, sentei para fumar com Don Alejandro. De uma simpatia incrível, Don Alejandro discute futebol brasileiro melhor do que um brasileiro, nesse caso eu. A ponto de escalar times do interior e técnicos que eu não fazia idéia de quem eram. Simplesmente concordei com tudo que ele falava, afinal, não queria ser mal educado e não entendo nada de futebol. Sou Corintiano (é assim que se escreve) e torço pelo Brasil na copa do mundo. Mesmo assim, não me pergunte quem é o goleiro do meu time. Eu não sei. Mas voltando aos charutos. Don Alejandro produz mais ou menos 25 alqueires de capa. Suas capas são perfeitas. De uma elasticidade incrível. Parecem feitas de látex. Tão boas, que um torcedor (de charuto, não futebol), não precisa aplicar a goma para colar a capa quando esta enrolando o charuto. É só esticar porque a elasticidade já faz com que o charuto fique com um bom acabamento e a capa perfeitamente esticada.
Meus amigos se juntaram a mim e Don Robaina e ficamos todos balançando nas cadeiras e fumando charutos mais que perfeitos enquanto discutíamos futebol e capas.
Aproveitando que estávamos em Vuelta Abajo, pedi para nosso motorista que nos levássemos a Viñales para vermos uma região de uma topografia paradisíaca. Quando você chega a Viñales, por cima do vale, pode fazer uma parada e apreciar a vista do alto. As formações rochosas que aparecem nas fotografias não são de rochas sedimentarias mas sim de calcário e principalmente vulcânica. Por isso são porosas e cheias de fissuras. Assim, as arvores crescem sobre elas e formas uma vegetação fechada como a mata atlântica. Lá você também pode fazer uma visita a uma gruta onde parte você percorre a pé e outra parte num barquinho. (Toda a informação sobre as formações rochosas e de solo me foram fornecidas pelo motorista e não sei se ele tem qualificação técnica para fazer tais afirmações.) Em Viñales, aproveite para comer no Cueva del Cimaron. Comida típica da região.
No dia seguinte em Havana, minha ultima visita foi a Casa del Habano 5 y 16 (na esquina da Quinta avenida com a Rua Dezesseis). Alexis, o gerente da loja foi muito simpático a nos receber. Meus companheiros de viagem tinham um demonstração para fazer lá. Uma troca de cultura no processo de produção de charutos. As técnicas cubanas e baianas foram apresentadas e debatidas.
Esta tabacaria tem, alem da grande seleção de charutos, ambiente agradável e do bar, um restaurante que serve comida típica Cubana. Em minha opinião esse é o melhor restaurante de Havana. Para ser honesto, em Havana não me preocupo muito com gastronomia. Sei que lá existe uma defasagem de bons restaurantes e por isso não me esforço. No entanto, neste restaurante você pode comer uma lagosta muito bem preparada ou uma paella a cubana, também muito boa. Não deixe de provar os bolinhos fritos de malanga. É uma raiz, parecida com a nossa mandioca em textura, que depois de ralada e misturada com ovo, farinha e temperos e fritas como quenelles. Alem do sabor muito gostoso, tem uma textura deliciosa, crocante por fora e cremosa por dentro. Depois do almoço, voltamos para fumar mais alguns charutos na tabacaria. Um partagas conosseur #1 e um H. Upmann #2.
Assim encerrei a minha viagem a La Habana. Já com saudades, na manhã seguinte voltei para este mundo mais rápido e mais real, em que vivemos. Afinal, quando em Havana, você esquece do mundo, quase uma viagem no tempo.
*Depois de ler todo o texto, minha segunda missão deve ter ficado relativamente clara.
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Os maravilhosos charutos.
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Na Meliá Cohiba com Leopoldo, seu irmão e com meu amigo Simon.
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A torcedora com seus movimentos precisos produzindo charutos.
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Rosivaldo demonstra as técnicas brasileiras de enrolar charutos em Havana.
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As capas elásticas de Don Alejandro.
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Rosivaldo, Lorenzo, eu e Don Alejandro fumando no seu terraço.
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A vista de Viñales. Absolutamente incrivel.
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Comentários:
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| Postado por:
edmilson belletto cação ribeiro
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achei formidável a matéria. Gostaria de saber a data em que foi feita a viagem e por qual empresa de turismo, pois tenho vontade de fazer uma igual.
Grato .
Edmilson
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| Postado por:
Alex Cabral
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Gostaria muuuuito de trocar idéias sobre Cuba. Estopu indio pra lá e gostaria de algumas dicas, de valors dos charutos lá por exemplo hehehe.
Abraços
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