Tive a oportunidade de fazer uma breve entrevista com Hervé This. Aqui segue a transcrição:
TE: Antes de pintar um Picasso, você tem que ter a capacidade de pintar um Caravaggio, você tem que dominar a técnica antes de avançar. E na gastronomia? Você tem que dominar conceitos passados para trabalhar com cozinha molecular?
HT: Não. Na cozinha molecular você vai usar técnicas criadas pela gastronomia molecular, pela ciência. (This me mostra uma obra de Da Vinci e uma de Picasso). O que adianta eu lhe mostrar algo que você não compreende. Na cozinha, do que serve algo sem conceitos intelectuais e sem emoção?
TE: Como um homem de ciência, você espera que as suas pesquisas atinjam quantas mais pessoas possíveis. O uso de seu conhecimento, por uma pessoa que cozinha em casa, porte da realização do seu trabalho?
HT: Como homem de ciência, não deveria rodar o mundo dando palestras. Não gosto disso. Gosto do meu laboratório. Gosto de estudar. Com esta viagem, no entanto, gostaria de criar um departamento de gastronomia molecular no Brasil e que esse departamento fosse aberto a todos os interessados. Eu acho que e fundamental que essas novas técnicas e conhecimentos sejam usados por cozinheiros de todos os níveis. Existem 190 milhões de possíveis cozinheiros no Brasil. Por que todos devem cozinhar um ovo da mesma maneira?
TE: Como pessoas que cozinham em casa podem usar esse conhecimento ou essa tecnologia nas suas cozinhas? Ate que ponto deveríamos “brincar” com esse tipo de experimento?
HT: A gastronomia molecular procura explorar o fenômeno. A cozinha molecular procura produzir comida. E com isso que os cozinheiros devem se preocupar e fazendo isso, usar as novas técnicas. Não existe perigo na produção de cozinha molecular. Usar nitrogênio liquido com prudência não e mais perigoso que cozinhar com uma chama ou usar uma faca afiada. Quando falamos de aditivos, também não ha nenhum problema. A maioria e encontrado nos produtos industrializados que comemos.
TE: Como devemos balancear estética com sabor? Não estamos criando espumas, esferificações, folhas, etc. Só pelo apelo visual?
HT: Bom, suponhamos que você goste de alface. Mas e se eu fizer uma folha com alface, outra com alface com algum tempero, outra com os tomates, etc. Cada folha é uma nota diferente e as diferentes notas vão compor a beleza da musica. Dou muita importância ao sabor, mas também ao visual. O sabor bom é trabalho do chef. Eu prefiro me dedicar à técnica. Quando se cria algo bonito e gostoso para alguém essa pessoa se sente especial. Isso e muito importante.
Encerrei a entrevista com Hervé me contanto um pouco sobre a próxima técnica, os gelos que flutuam, que ele desenvolveu e que estará disponível no site de Pierre Gaignaire (www.pierre-gagnaire.com). Deixo aqui alguns links para todo o material que This me mandou. Boa leitura e bom divertimento na cozinha!
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Assim, terminei a minha entrevista com esse simpático cientista que de certa forma foi uma inspiração para uma coluna que esta nascendo no Trois Etoiles, a de cozinha molecular.
A vinda de Hervé This para o Brasil foi um privilegio para todos que puderam assistir e deixo aqui meus sinceros agradecimentos a todos que trabalharam em conjunto para a vinda dele e mais especificamente a Anhembi-Morumbi. SESC e a editora Duetto que lançou 3 volumes da Scientific American Brasil com o thema de gastrônomia molecular.
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